História

Academia Real Militar em 1812, prédio onde atualmente funciona o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais – IFCS/UFRJ.

Academia Real Militar em 1812, prédio onde atualmente funciona o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais – IFCS/UFRJ.

A história do Museu da Geodiversidade (MGeo) está atrelada à história de formação de um acervo histórico e científico que teve início no século XIX. Isso porque, com a chegada da Família Real ao Rio de Janeiro em 1808, o Brasil, em meio a um processo de transformações políticas, econômicas e culturais, herdou uma importante coleção mineralógica trazida por Dom João, a qual passou a fazer parte do Gabinete Mineralógico da Academia Real Militar, criada em 1810.

Em 1858, tal Academia, ora conhecida como Academia Imperial Militar por conta da proclamação da independência brasileira, foi desmembrada em Escola Militar e Escola Central. Esta última, reduto da coleção mineralógica já citada, foi, em 1874, transformada na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, para chamar-se, em 1937, Escola Nacional de Engenharia, pertencente à UB – Universidade do Brasil. Esta, que seria posteriormente denominada Universidade Federal do Rio de Janeiro, passou a ser então o local de guarda dessa coleção.

Neste momento, no Brasil, os trabalhos que necessitavam de conhecimento geológico eram desempenhados ou por geólogos graduados no exterior ou por engenheiros e naturalistas graduados no Brasil. Entretanto, os desafios impostos pela necessidade de recursos minerais e energéticos gerou uma intensa pressão pela criação de cursos de Geologia no Brasil, sendo os quatro primeiros criados em 1957. O quinto foi criado no Rio de Janeiro no ano seguinte.

Em 1961, esse último foi transformado na Escola Nacional de Geologia, a qual, em 1965, foi incorporada à Universidade do Brasil, onde já estava depositada a coleção de minerais trazida para o Brasil no século XIX.

Durante esse processo de incorporação, ocorreu a união entre a Escola Nacional de Geologia e as primeiras turmas do recém-criado Curso de Geologia da Faculdade Nacional de Filosofia, que já pertencia à UB. Por conta dessa junção, todos esses acervos dessas diferentes escolas tornaram-se um só.

Em 1967, quando a Universidade do Brasil passou a se chamar Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi criado o Instituto de Geociências, que nasceu a partir da união entre a Escola Nacional de Geologia e os cursos de Astronomia, Geografia e Meteorologia, que faziam parte, até então, da Faculdade Nacional de Filosofia.

Assim, com a criação do IGeo – Instituto de Geociências e de seus distintos departamentos, dentre eles o de Geologia, todo o acervo até então reunido passou para sua responsabilidade.

Um pouco antes, quando o Curso de Geologia ainda ocupava as dependências do IFCS – Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, foi fundado o Museu de Mineralogia, cujo mobiliário e acervo foi também transferido para o prédio do IGeo, situado na Ilha do Fundão.

Transcorridos pouco mais de quarenta anos desde essa época, em comemoração ao jubileu de ouro de criação do primeiro Curso de Geologia no Rio de Janeiro, foi criado o Museu da Geodiversidade no âmbito do Departamento de Geologia, justamente para guardar e divulgar o acervo reunido por discentes e docentes ao longo dessas quase cinco décadas de história.

Entretanto, como a sua proposta sempre foi a de divulgar a compreensão de como se deu a evolução do Planeta Terra com a vida nele existente e de como a geodiversidade serviu ao desenvolvimento socioeconômico da história humana, o Museu da Geodiversidade passou então a integrar diretamente a estrutura administrativa do Instituto de Geociências. E, com isso, buscou entrelaçar as Ciências da Terra e as Ciências Humanas de modo a questionar o grau de responsabilidade do Homem no rumo que toma em sua vida e nas ações que pratica ao longo da sua existência. Existência essa que é individual, mas também coletiva, que é poética, mas também política.

Quer saber um pouco mais sobre os 50 anos da Geologia? Assista ao vídeo!

  • HISTORY

The history of the Museum of Geodiversity (MGeo) is linked to the history of the formation of a historical and scientific collection that began in the 19th century. This is because, with the arrival of the Royal Family in Rio de Janeiro in 1808, Brazil, in the midst of a process of political, economic and cultural transformation, inherited an important mineralogical collection brought by Dom João, who became part of the Mineralogical Cabinet of the Royal Military Academy, created in 1810.

In 1858, this Academy, now known as the Imperial Military Academy because of the proclamation of Brazilian independence, was dismembered in Military School and Central School. In 1874, this last one, redoubt of the mineralogical collection, was transformed into the Polytechnic School of Rio de Janeiro, to be called, in 1937, National School of Engineering, belonging to UB – University of Brazil. This one, that later would be denominated Federal University of Rio de Janeiro, happened to be then the place of guard of this collection.

At that moment, in Brazil, the works that needed geological knowledge were performed by geologists graduated abroad or by engineers and naturalists graduated in Brazil. However, the challenges posed by the need for mineral and energy resources generated intense pressure for the creation of Geology courses in Brazil, the first four being created in 1957. The fifth was created in Rio de Janeiro the following year.

In 1961, the latter was transformed into the National School of Geology, which, in 1965, was incorporated into the University of Brazil, where the collection of minerals brought to Brazil in the 19th century was already deposited.

 

During this process of incorporation, there was the union between the National School of Geology and the first classes of the newly created Course of Geology of the National Faculty of Philosophy, which belonged to UB. Because of this junction, all these collections of these different schools have become one.

In 1967, when the University of Brazil became the Federal University of Rio de Janeiro, the Institute of Geosciences was created. It was born from the union between the National School of Geology and the courses of Astronomy, Geography and Meteorology, which made part, until then, of the National Faculty of Philosophy.

Thus, with the creation of IGeo – Institute of Geosciences and its different departments, among them Geology, all the collected collection has passed to its responsibility.

A little earlier, when the Geology Course still occupied the premises of the IFCS – Institute of Philosophy and Social Sciences, the Museum of Mineralogy was founded, whose furniture and collection was also transferred to the IGeo building, located on the Island of Fundão.

After a little more than forty years since that time, in celebration of the golden jubilee of the first Geology Course in Rio de Janeiro, the Museum of Geodiversity was created within the scope of the Department of Geology, precisely to keep and disseminate the collection gathered by students and teachers throughout these nearly five decades of history.

However, since its proposal has always been to spread the understanding of how the evolution of Planet Earth occurred with the life in it and how geodiversity served the socioeconomic development of human history, the Museum of Geodiversity then integrated directly into the structure of the Institute of Geosciences. And with this, he sought to intertwine the Earth Sciences and the Human Sciences in order to question the degree of responsibility of Man in the direction he takes in his life and in the actions he practices throughout his life. Existence that is individual, but also collective, which is poetic, but also political.

Want to know a little more about the 50 years of Geology? Watch the video!

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